segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Anúncio do Reino I

Assunto: História Terrestre e mortal de Jesus – Anúncio do Reino I Texto: BOMBONATTO, V. I. Seguimento de Jesus. Paulinas, São Paulo, 2002. p. 212-227. (Texto sugerido) MOLTMANN, J. O caminho de Jesus Cristo. 2.ed. Vozes, Petrópolis, 1994. p. 137-207. Palavras-chave: anuncio do reino de Deus, duplo sentido do Reino (teocrático e escatológico), anunciar Jesus é anunciar o Reino, Reino arquétipos (Davi e Salomão), expectativa messiânica (Davídica, Sacerdotal, Profética) Aula: 16/09

Anúncio do Reino

Reino teocrático e escatológico

O Reino tem um significado teocrático e escatológico. O significado teocrático é expresso pela ação de Deus no hoje da história, o poder de Deus no presente. Já, o movimento escatológico, o Reino de Deus é a plenificação de tudo em tudo (futuro).

Tradição que espera o Reino

Jesus não é o primeiro ao anunciar o Reino. Ele é herdeiro de uma tradição que espera a manifestação do Reino de Deus. Quando Jesus anuncia o Reino, ao longo de sua vida, vai dando um conteúdo particular ao reinado de Deus. O Reino não é novidade para os ouvintes de Jesus, já possuíam uma expectativa do Reino. O anúncio do Reino apresenta dois momentos: teocrático e escatológico, que são manifestados juntos. (é um “já e ainda não” - figura do presente e do futuro que se complementam)

O Reino não se identifica com nenhuma mediação humana

O reino não pode se identificar com nenhuma mediação humana, com nenhum partido político, nenhum rei, monarquia, ideologia, ou eclesiologia. O Reino de Deus não se resume a uma mediação humana. (Grande perigo: Tendenciosamente os homens reduzem o reino a suas ideologias)

Raízes da Percepção do Reino na concepção judaica

O discurso do Reino é algo que perpassa a concepção judaica anos antes de Jesus. A origem da percepção do Reino de Deus está associada à Monarquia. Monarquia = Javé (prerrogativa de) único Deus verdadeiro os outros são intendentes de Javé (reis) e devem praticar a justiça. São reis à medida que praticam a justiça. Israel reserva a Javé a prerrogativa como único Deus verdadeiro. A monarquia é teocrática, Deus é o Rei. Surgem dois reinados arquétipos, modelares, na história de Israel. Reinos Arquétipos: Reino de Davi e Salomão. Esse dois reinados passaram para a mentalidade judaica como um tempo em que Javé reinou em Israel. Após a extinção dos reinos arquétipos, e com o tempo cria-se a expectativa do Reino para a dimensão utópica, de que o Reino chegará, e o próprio Deus restabelecerá o Reino de Israel, pelo messias.

Reino de Deus

Na perspectiva jesuanica, o Reino de Deus anunciado por Jesus é uma antecipação do que será. Quando o messias Jesus anuncia o Reino de Deus, o que ele faz não é o anúncio do que virá. O que ele faz é uma antecipação, através de sua vida, suas palavras, sua acolhida aos pecadores, e ações, do que é o Reino de Deus. Não é um anúncio vazio de conteúdo, é uma antecipação plena do Reino. Antecipa concretamente o que é o Reino de Deus. O anúncio realizado pela boca de Jesus é uma antecipação do Reino.

O anúncio do Reino é Deus mesmo

Anunciar o Reino de Deus é anunciar o próprio Deus. O anúncio do Reino é o anúncio de Jesus. Ao anunciar o Reino anunciamos o próprio Jesus. Anunciando Jesus anunciamos o próprio Reino. Jesus antecipa o Reino em sua vida. O Reino de Deus é plena realidade efetiva. Jesus não é o arauto de um projeto do futuro, mas nele se realiza plenamente o Reino.

MOLTMANN: “A salvação aparece precedendo a si própria no Evangelho, e o início da manifestação do Deus vindouro em forma de palavra. O simples fato do anúncio de Jesus já põe em movimento a realização do Reino de Deus. ” O Reino (salvação) é uma promessa que se efetiva plenamente na pessoa de Jesus. A mensagem de Jesus é escatológica, mas a eminência da salvação por ele anunciada não pode ser separada de sua própria pessoa.

Reino anunciado por Jesus e a expectativa judaica

Há uma natural distancia entre o Reino anunciado por Jesus e a expectativa do Reino judaico. No período de Jesus há um “caldo cultural” que permite Jesus receber de sua cultura uma perspectiva do Reino, que vem da linha davidica, sacerdotal e profética. O conflito permanente entre Jesus e as autoridades é devido a distância entre o Reino por ele anunciado e a expectativa que havia entre os judeus.

Expectativa Messiânica

A expectativa messiânica nasce com a falência do projeto de Monarquia. Criando-se, assim, uma expectativa de manifestação de Deus e do seu Reino entre o povo de Israel. Nesse contexto surge a expectativa de um messias que plenificaria o Reino conforme o ideal esperado. Assim, surgem 3 correntes que esperavam a manifestação de Deus e do seu Reino através de uma expectativa sacerdotal, davidica e profética. (davídica = rei; sacerdotal = sacerdote que restauraria o templo, a pureza da religião judaica; profética = como um novo Elias). Mas, Jesus não se enquadra em nenhuma delas. A consciência messiânica de Jesus é um processo que foi se desenvolvendo ao longo de sua própria existência.

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