segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Apontamentos de Aula 19/08/08 - Texto: Jesus homem verdadeiro (Queiruga) - continuação

JESUS, HOMEM VERDADEIRO - Queiruga - continuação

IV.- O NOVO ACESSO À DIVINDADE DE JESUS:

1- A CRISTOLOGIA PELA VIA DO EXTRAORDINÁRIO: Na fé em que fomos educados é difícil conciliar humanidade e divindade de Jesus. Na verdade, nossa preferência é pelo Jesus extraordinário, realizador de milagres. Mas nós precisamos levar a sério a encarnação, pois todo o cristianismo depende dela. A encarnação não foi um simples teatro em que Deus se apresenta como homem e depois volta a ser Deus. Para conhecer nosso Deus, vamos até Jesus. Talvez, quando nos esquecemos da humanidade de Jesus, estejamos transferindo para ele nossos desejos íntimos de poder e domínio. Se nos detivermos apenas nos conceitos genéricos de divindade (imutável, onipotente, etc) teremos dificuldades para entender o que seja Deus para os cristãos.

2- JESUS, HUMANIDADE SEM CONTRADIÇÃO: Em Jesus não existe esse recorte humano / divino. Mas o divino, para nós, fica muito mais longe, próximo do mito. E em Jesus vamos encontrar a plenitude da humanidade pois nele se manifestou toda a graça divina. É importante que vejamos como Jesus se portou e se comportou, mas sem nos esquecermos de que é potencialidade em nós o que nele foi realização. Só com a ajuda da graça de Deus podemos caminhar no sentido da plenificação. Em Jesus não há contradição porque nele se encontraram toda a graça e toda a humanidade.

3- ALGUNS DESTAQUES NO TEXTO DE QUEIRUGA:

      3.1- PÁGINA 194:

        3.1.1- "Esse homem Jesus, o filho do carpinteiro, o profeta reconhecido, o pregador do reino de Deus, livre a respeito dos poderes religiosos ou políticos e das opiniões comuns, devorado até a morte por sua luta a favor da justiça, esse homem Jesus é o ponto de ancoragem da revelação. Sem essa realidade concreta, o evangelho perde sua força. É desse homem que os discípulos são testemunhas".

        3.1.2- "Jesus não pára de proclamar com sua prática e sua palavra que Deus está precisamente em outra parte do que onde o imaginaram todos os que lhe assinalaram um lugar".

        3.1.3- "... eu sei de que modo nós construimos aquele que em nós temos por Deus. A forma como Jesus foi homem é de outra ordem ... E é bonito, é muito bonito o homem que o Deus de Deus está feliz de ser. É bonito o homem, quando aquele que é Deus não só joga ao Deus 'aproveitando-se de sua condição divina', e sim que não joga ao homem perfeito, ao super-homem, não busca encarnar para todo o homem. Possivelmente deve ser necessária muita confiança e muita esperança para poder permitir-se ser homem desse modo. Possivelmente deve ser necessário ser Deus para amar o homem dessa maneira, para querer ser homem dessa maneira".

      3.2- PÁGINA 196: "Uma cristologia autêntica sabe-se, além do mais, sempre resguardada pelo recinto delimitado em Calcedônia: consubstancial ao Pai - consubstancial conosco." Nossa Cristologia não está fugindo do dogma, pois no contexto de Calcedônia não havia se perdido o conceito da humanidade de Jesus, hoje um pouco "esquecida".

      3.3- PÁGINA 200: Como acessar a divindade de Jesus a partir de sua humanidade? Abrem-se duas perspectivas:

        3.3.1- "A primeira consiste em compreender que o humano permite - sem se romper - uma progressiva intensificação de sua maneira concreta de realizar-se; sempre cabe ser "mais homem", na medida em que se realize com maior intensidade e pureza tudo o que se anuncia no radical dinamismo que constitui a humanidade. ... acentuar a perfeição e plenitude da humanidade de Jesus não tem por que diminuir sua identidade conosco; pelo contrário, agora somos capazes de intuir que pode aumentá-la e potencializá-la." Em nós sempre cabe um pouco mais de humanidade, pois somos criaturas, não somos pedaços de Deus.

        3.3.2- "A segunda perspectiva refere-se à capacidade de acolhida que deste modo vemos abrir-se na humanidade. Se nada há que a complete, se cada conteúdo concreto parece sempre ultrapassável e ultrapassado, talvez não vejamos em que consiste positivamente essa capacidade, mas sim que se patenteia, no vazio, sua abertura." Conhecendo-nos, saberemos que há em nós espaço para mais coisas. Nossa fé declara que em Jesus esse espaço foi preenchido de forma completa.

      3.4- PÁGINA 204: "Porém, duas coisas pelo menos deveriam ficar claras - e esclarecedoras:

        3.4.1- "Que todos estes rodeios não são algo definitivamente diferente do primeiro e simples caminho da fé dos apóstolos: eles encontraram um homem real e verdadeiro, e em sua humanidade nunca negada descobriram pouco a pouco o mistério de sua divindade."

        3.4.2- "Que, por isso mesmo, a insistência autêntica na humanidade de Jesus, além de ser uma necessidade irrenunciável de nosso modo atual de viver a fé, de modo algum fecha a passagem para o reconhecimento de sua divindade."

4- CONCLUSÃO: Para compreender a quem estamos seguindo não podemos esquecer de que na orígem da fé cristã está uma pessoa: JESUS DE NAZARÉ.

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