quarta-feira, 27 de agosto de 2008

APONTAMENTOS DE AULA 26/08/08

APONTAMENTOS DE AULA: 26/08/09 

Palavras-chave (25/08/08): vida oculta, sentido, processo, aprofundamento do SER/MISSÃO, aprofundamento da relação com o Abba, comunidade interpretativa. 


I - IMPORTÂNCIA DA COMUNIDADE INTERPRETATIVA 

A comunidade interpretativa é importante,

pois, ela é quem diz as fórmulas da fé – ex.: Jesus é o Senhor!,

ou seja, declara explicitamente, mediante a fé no Cristo,

o que na vida do Nazareno já é implícito.


Isto se dá em três tempos:


1 – O ACONTECIDO:

> ‘fato bruto’ – vida de Jesus de Nazaré

> matriz fontal da Cristologia

> inacessível, para nós, hoje


2 – KERYGMA PASCAL

> Jesus morreu, Deus o Ressuscitou!

> é o fundamento da Cristologia

> aqui está a grandeza da comunidade interpretativa,

> uma vez que é ela quem explicita as fórmulas da fé;

> Portanto, iluminando todo o ACONTECIDO (a vida de Jesus de Nazaré),

> inclusive a morte, que aparentemente parecia fracasso,

> confere clareza de sentido!,

> É ela quem chega ao ponto de dizer,

> tão humano como este,

> tão radicado na sua relação com o Pai,

> só pode ser Deus mesmo! (apud Fernando Pessoa / Leonardo Boff)


3 – EVANGELHOS

>> O critério é a distância: com a distância do acontecido

seria necessário registrar,

ter em escrito os testemunhos fiéis do Kerygma;


> contra toda ARBRITARIEDADE e SUBJETIVISMO:

tendo presente os muitos que queriam pregar a si

faz-se necessário de testemunhas que conviveram com o Cristo

e/ou seus apóstolos/discípulos mais próximos.


> não como arquelogia, mas ATUALIZAÇÃO do Kerygma:

isso indica que os Evangelhistas são testemunhas,

seu objetivo é para que ou seus leitores

não só conheçam, mas, creiam. (Jo 20, 31)



II - INFÂNCIA DE JESUS

a) – Evangelhos de Mateus e Lucas

b) – Evangelhos do Nascimento e não da infância: o foco é o nascimento

c) – Episódios: Anunciação; Anúncio; Apresentação no Templo; Genealogia; Nascimento; Pastores; Morte dos Inocentes; Visita dos Magos; Genealogia; etc...

d) – Tais relatos não constituem Kerygma: isso não significa que não sejam importante, mas, o fundamental é o confessar que Jesus é o Cristo! (Rm 10, 9)

e) – Não se trata de relato histórico: é pedagogia da fé

                                                      é narração do Evangelhista

f) – o interesse é o sentido teológico

g) – são midraxes: gênero literário judaico

                        Hagadá é o contar histórias para repassar ensinamentos

                      Midraxe: é o contar histórias, porém, utilizando-se de textos
                                         sagrados

      
2.1 EVANGELHO DE MATEUS

- Genealogia (Mt 1, 1-16)

> inicia-se por Abraão

> (Jesus é inserido no povo da Aliança)

> cita duas mulheres de vida duvidosa, pecadoras

> (Jesus é inserido no mundo dos pecadores)

- 14 gerações (Mt 1, 17)

> dividindo por grupos de 7 (por tempos)

> 7 é o número da perfeição

> com Jesus inicia-se o tempo da plenitude



- Nascimento de Jesus (Mt 1, 18-25)

> (v. 18) centro da narrativa é José (da linhagem de Davi)

> referência messiânica

> Jesus é O novo Davi

> (v. 23) virgindade (versículo de Isaías)

> referência profética

> Jesus é O Profeta (novo Moisés/Elias)



- Conclusão:

> O Evangelhista insere Jesus no povo da Aliança

> Jesus é o novo Moisés/ novo Davi


2.2 - EVANGELHO DE LUCAS

- Genealogia (Lc 3, 21-38)

> culmina com Adão

> Jesus é o novo Adão

> Jesus é inserido no mundo dos pecadores // (Flp 2, 5)

- O nome Jesus (Lc 1, 26-38)

> Maria é quem põe o nome

> o Evangelhista salienta a participação das mulheres

- apresenta várias contradições

> Recenseamento

> Não acha lugar para nascer

> só os pastores reconhecem

> se perde no templo

- Conclusão:

> O Evangelhista insere Jesus na humanidade pecadora

> Jesus é o novo Adão


2.3 CONCLUSÕES

1 – O sentido teológico do Evangelho do nascimento

> antecipar a vida futura de Jesus

> ex.: Esse ‘menino’ com tantas contradições é realmente o Filho de Deus

> os inícios são SINOPSE do que o mesmo vivenciará

2 – A genealogia tem função específica

> no caso de Mateus: Jesus é inserido no povo da Aliança

> no caso de Lucas: Jesus é inserido no centro da humanidade pecadora (novo Adão)



2.4 CONCLUSÕES TEOLÓGICAS DE MOLTMANN A CERCA DA CONCEPÇÃO ORIGINAL


1 – Deus está unido a Jesus de modo essencial

> a concepção virginal, nos Evangelhos, atesta tal fato

2 – Jesus é o Filho Messiânico desde o início

> o nascimento é operado pelo Espírito Santo

3 – Há uma diferença teológica entre encarnação e habitação

> em nós, Deus está (pode ser recusada)

> em Jesus, Deus é (irrevogavelmente)

4 – A origem da teologia da concepção original

a) – está em garantir a CONCEPÇÃO HUMANA

> quebra a idéia judaica (o Messias não ‘caiu’ do céu)

> não é mostrar que ele é um espírito desencarnado

> não é centralizar o papel de Maria


b) – é uma teologia em função do concebido

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