APONTAMENTOS DE AULA: 26/08/09
Palavras-chave (25/08/08): vida oculta, sentido, processo, aprofundamento do SER/MISSÃO, aprofundamento da relação com o Abba, comunidade interpretativa.
I - IMPORTÂNCIA DA COMUNIDADE INTERPRETATIVA
A comunidade interpretativa é importante,
pois, ela é quem diz as fórmulas da fé – ex.: Jesus é o Senhor!,
ou seja, declara explicitamente, mediante a fé no Cristo,
o que na vida do Nazareno já é implícito.
Isto se dá em três tempos:
1 – O ACONTECIDO:
> ‘fato bruto’ – vida de Jesus de Nazaré
> matriz fontal da Cristologia
> inacessível, para nós, hoje
2 – KERYGMA PASCAL
> Jesus morreu, Deus o Ressuscitou!
> é o fundamento da Cristologia
> aqui está a grandeza da comunidade interpretativa,
> uma vez que é ela quem explicita as fórmulas da fé;
> Portanto, iluminando todo o ACONTECIDO (a vida de Jesus de Nazaré),
> inclusive a morte, que aparentemente parecia fracasso,
> confere clareza de sentido!,
> É ela quem chega ao ponto de dizer,
> tão humano como este,
> tão radicado na sua relação com o Pai,
> só pode ser Deus mesmo! (apud Fernando Pessoa / Leonardo Boff)
3 – EVANGELHOS
>> O critério é a distância: com a distância do acontecido
seria necessário registrar,
ter em escrito os testemunhos fiéis do Kerygma;
> contra toda ARBRITARIEDADE e SUBJETIVISMO:
tendo presente os muitos que queriam pregar a si
faz-se necessário de testemunhas que conviveram com o Cristo
e/ou seus apóstolos/discípulos mais próximos.
> não como arquelogia, mas ATUALIZAÇÃO do Kerygma:
isso indica que os Evangelhistas são testemunhas,
seu objetivo é para que ou seus leitores
não só conheçam, mas, creiam. (Jo 20, 31)
II - INFÂNCIA DE JESUS
a) – Evangelhos de Mateus e Lucas
b) – Evangelhos do Nascimento e não da infância: o foco é o nascimento
c) – Episódios: Anunciação; Anúncio; Apresentação no Templo; Genealogia; Nascimento; Pastores; Morte dos Inocentes; Visita dos Magos; Genealogia; etc...
d) – Tais relatos não constituem Kerygma: isso não significa que não sejam importante, mas, o fundamental é o confessar que Jesus é o Cristo! (Rm 10, 9)
e) – Não se trata de relato histórico: é pedagogia da fé
é narração do Evangelhista
f) – o interesse é o sentido teológico
g) – são midraxes: gênero literário judaico
Hagadá é o contar histórias para repassar ensinamentos
Midraxe: é o contar histórias, porém, utilizando-se de textos
sagrados
2.1 EVANGELHO DE MATEUS
- Genealogia (Mt 1, 1-16)
> inicia-se por Abraão
> (Jesus é inserido no povo da Aliança)
> cita duas mulheres de vida duvidosa, pecadoras
> (Jesus é inserido no mundo dos pecadores)
- 14 gerações (Mt 1, 17)
> dividindo por grupos de 7 (por tempos)
> 7 é o número da perfeição
> com Jesus inicia-se o tempo da plenitude
- Nascimento de Jesus (Mt 1, 18-25)
> (v. 18) centro da narrativa é José (da linhagem de Davi)
> referência messiânica
> Jesus é O novo Davi
> (v. 23) virgindade (versículo de Isaías)
> referência profética
> Jesus é O Profeta (novo Moisés/Elias)
- Conclusão:
> O Evangelhista insere Jesus no povo da Aliança
> Jesus é o novo Moisés/ novo Davi
2.2 - EVANGELHO DE LUCAS
- Genealogia (Lc 3, 21-38)
> culmina com Adão
> Jesus é o novo Adão
> Jesus é inserido no mundo dos pecadores // (Flp 2, 5)
- O nome Jesus (Lc 1, 26-38)
> Maria é quem põe o nome
> o Evangelhista salienta a participação das mulheres
- apresenta várias contradições
> Recenseamento
> Não acha lugar para nascer
> só os pastores reconhecem
> se perde no templo
- Conclusão:
> O Evangelhista insere Jesus na humanidade pecadora
> Jesus é o novo Adão
2.3 CONCLUSÕES
1 – O sentido teológico do Evangelho do nascimento
> antecipar a vida futura de Jesus
> ex.: Esse ‘menino’ com tantas contradições é realmente o Filho de Deus
> os inícios são SINOPSE do que o mesmo vivenciará
2 – A genealogia tem função específica
> no caso de Mateus: Jesus é inserido no povo da Aliança
> no caso de Lucas: Jesus é inserido no centro da humanidade pecadora (novo Adão)
2.4 CONCLUSÕES TEOLÓGICAS DE MOLTMANN A CERCA DA CONCEPÇÃO ORIGINAL
1 – Deus está unido a Jesus de modo essencial
> a concepção virginal, nos Evangelhos, atesta tal fato
2 – Jesus é o Filho Messiânico desde o início
> o nascimento é operado pelo Espírito Santo
3 – Há uma diferença teológica entre encarnação e habitação
> em nós, Deus está (pode ser recusada)
> em Jesus, Deus é (irrevogavelmente)
4 – A origem da teologia da concepção original
a) – está em garantir a CONCEPÇÃO HUMANA
> quebra a idéia judaica (o Messias não ‘caiu’ do céu)
> não é mostrar que ele é um espírito desencarnado
> não é centralizar o papel de Maria
b) – é uma teologia em função do concebido
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