segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Cristologia

História Terrestre

CRISTOLOGIA Assunto: História Terrestre e mortal de Jesus (pressupostos) Texto: DUQUOC, Ch. Cristologia – Ensaio Dogmático I. 2.ed., Loyola, São Paulo, 1982. p. 21-38. (Texto sugerido) Palavras-chave: história terrestre, excesso sentido da humanidade, humanidade comum, algo mais, plus, vida oculta, consciência processual do ser/missão, humanidade e divindade, dimensão explícita e implícita.

Síntese geral O tema abaixo descrito tem como foco os pressupostos da história terrestre de Jesus. *Em nossa fé cristã predomina-se o Cristo da fé, mas a norma para o seguimento é a sua humanidade, o Jesus da história.

História Terrestre

Excesso de sentido de humanidade

Toda história humana é permeada de excesso de sentido e impossível de ser captada em sua totalidade, aplicando essa compreensão a Jesus, percebendo-o como ser humano, sua realidade humana permanece inesgotável. Desse modo é possível fazer Cristólogia em todo tempo, pois sempre haverá algo a ser aprofundado em sua humanidade permeada de excesso de sentido. (Exemplo bíblico: personagem de João Batista - Prólogo de João. O próprio Batista não consegue-se definir)

Humanidade comum de Jesus

Pode-se dizer que a humanidade de Jesus é “comum” no sentido de que não foi uma personalidade sublime, supra-humana. Comum no sentido de semelhante a nossa humanidade. Isso não quer dizer que ele não teve um “algo a mais”, mas tem em si a mesma humanidade pertencente a todo o gênero humano.

*A graça: não vem de fora, o Espírito plenifica a humanidade a partir de dentro. Na comum humanidade o Espírito plenifica o homem.

*Temos o habito de transpor os conceitos divinos, provenientes da concepção grega de divindade, a Jesus. O caminho proposto pela Cristologia é o contrário. A proposta é reconhecer na humanidade comum quem é Deus. Partir da humanidade para reconhecer a divindade.

*A vida oculta: admitir que Jesus teve uma vida oculta é umas grandes provas e sua vida comum.

Humanidade de Jesus é um processo que aprofunda o ser/missão e a relação com o Abba

Isso significa que ele vai aprofundando em sua vida a sua missão através da relação como Abba. Ela não é dada de imediato, toda capacidade já está presente nele, mas é algo processual. Há um processo de aprofundamento quanto ao ser “ser”, sua “missão” e sua “relação com o Abba” que vai se desenvolvendo gradativamente.

Partir da humanidade para compreender a divindade

As primeiras comunidades ao interpretarem as ações de Jesus, partindo de sua humanidade concreta, reconhece nesse “ser humano” uma intimidade profunda com Deus, essa intimidade chamamos de “algo mais”, ou “plus”.

*Através da sua humanidade reconhece a intimidade/relação profunda com o Abba. Essa relação é a fonte de sua divindade, dela provêm sua capacidade libertadora, curadora, etc...

*Relação com o Abba que é o “algo mais”, sua condição filial, característica específica de Jesus.

*Jesus compreendeu sua missão e modo particular, mas sua condição como filho de Deus, como nós hoje entendemos, é improvável que não possuía. Essa clareza implícita de sua divindade é interpretada e atestada pelas comunidades. Ele tinha consciência de sua missão messiânica, mas a partir de outra concepção, diferente das concepções messiânica dos doutores da lei, dos fariseus, dos essênios, dos zelotas, etc. No processo de seu itinerário, através de seu relacionamento com o Abba, ele re-configura a conotação de messianismo.

Pontos consensuais da vida de Jesus

*Início de sua vida pública marcada pelo Batismo.

*Fim da vida pública é a morte de Jesus na Cruz.

*Duração da vida não há consenso.

*Contexto geográfico, Galiléia (início) e Judéia.

*Não há muito consenso de que Jesus foi discípulo do Batista.

*Resultado final da vida é um fracasso. (isso significa que a primeira percepção daqueles que estavam junto dele é a percepção de fracasso de sua missão, só depois que houve uma compreensão mais ampla de sua morte)

Conceito de explícito e implícito

O que está em Jesus vai sendo explicitado em seu itinerário de vida.

*Jesus é o Cristo = Anúncio A humanidade de Jesus anunciada tem um sentido, um significado. Sua humanidade é ungida por Deus, explicitação do que está implícito. Essa era a compreensão das primeiras comunidade. A comunidade interpretativa vai explicitando o que está implicitamente em Jesus.

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