terça-feira, 12 de agosto de 2008

Investigação Histórica sobre Jesus - Aula de 12/08/08

CRISTOLOGIA

Assunto: Apontamentos sobre o percurso histórico da Cristologia – o deslumbramento do Jesus Histórico e a Cristologia Contemporânea

Texto: Estado actual de la investigación histórica sobre Jesús. (Autor LOIS, J)

Palavras-chave: Jesus real-histórico, tensão na Cristologia, razões eclesiológicas, agir da Igreja, investigação sobre Jesus histórico, Old Quest, New Quest, Third Quest

Introdução:

Jesus histórico ╪ Jesus real (terrestre) O ponto de partida de toda a Cristologia é a humanidade de Jesus, e para isso é necessário partir da pessoa concreta de Jesus, o Jesus histórico. Há uma diferença entre o Jesus histórico e o Jesus real (terrestre). O Jesus histórico tem como fonte primeira os Evangelhos, e estes são elaborações testemunhais do Jesus real. O Jesus real é aquele que viveu com seus discípulos, o Jesus do dia-a-dia, em um determinado tempo concreto da história, e esse Jesus terrestre não se consegue chegar. Tudo o que se sabe de Jesus é fruto de elaboração, até mesmo os Evangelhos.

Tensão na Cristologia

A tensão que existe na Cristologia é unir o Jesus histórico com o Cristo da fé.

4 Razões que confirmam a necessidade de se conhecer o Jesus histórico

1. Razões do contexto; 2. Razões da humanidade concreta, para se ter como referência; 3. Razões Teológicas; 4. Razões Eclesiológicas.

Razões Eclesiológicas

Ir à humanidade concreta de Jesus provoca uma auto-crítica, uma reflexão/conversão de como deve agir a Igreja. Através da figura histórica de Jesus é capaz de se perceber seus atos, posicionamentos, e assim fazer a comparação da prática da vida desse homem com as atitudes da Igreja. Analisando seu itinerário percebemos que ele possuía uma preferência especial pelos pobres. A figura de Jesus é referência para o seguimento. É necessário ver o que estava na vida e na prática de Jesus e o que não está na vida e na prática da Igreja hoje, está é uma questão eclesiológica muito importante. Isto proporciona perceber onde estão as distâncias e as aproximações. O modo de agir a Igreja deve ser pautado unicamente pela figura, obra, vida, paixão de Jesus de Nazaré.

História da investigação sobre Jesus

1. Old Quest: A busca pelo Jesus histórico é iniciada em 1778 por Reimarus. Até essa data não se perguntava sobre Jesus histórico, toda a Teologia era balizada na Suma Teológica de São Tomas de Aquino. Reimarus se posiciona de modo extremo, dizendo que o Cristo da fé, pregado pela Igreja, é uma fraude, uma invenção da Igreja. Concebe Jesus como construção teológica da Igreja. Vai de 1778 até 1950. (A Igreja não se preocupava com esta questão, mas exegetas e teólogos foram incomodados). Este período vai de Jesus da fé como fraude, de Reimarus, até considerá-lo como ponto principal, através de Bultmann. O Jesus da fé é uma fraude, uma construção. A Old Quest termina com Bultmann dizendo que o Cristo da fé é o principal e o Jesus histórico é relevante. Houve uma trajetória nas pesquisas sobre Jesus.

2. New Quest: Inicia em 1953 com a Conferência intitulada de “Problema do Jesus Histórico” (Kasemann). Esta fase postula que entre o Jesus histórico e o Cristo da fé existe uma continuidade/passagem e não uma ruptura, como fez a etapa anterior. A profissão no Cristo da fé é elaborada, mas tem como referência o Jesus histórico. a. Cristologia implícita e explícita = Aquilo que hoje conseguimos explicitar sobre Jesus já estava implícito em sua vida. Por mais que se façam pesquisas cristologicas não há como esgotar o mistério da humanidade plena de Jesus. Em Jesus há uma plenitude, a graça está em conformidade com a humanidade, e será sempre objeto de estudo.

3. Third Quest: Possui três características próprias: a. Compreender Jesus em sua origem judaica, compreender o Jesus judeu. b. Maior conhecimento do contexto histórico em que Jesus vivia. c. Maior conhecimento da literatura apócrifa.

Seminários sobre Jesus

Estudiosos norte-americanos pragmáticos que estudaram sobre Jesus.

Considerações finais: São três:

1. Necessidade e legitimidade da investigação histórica sobre Jesus. É legítima e necessária essa pesquisa. 2. O que há de reconhecido sobre Jesus já é suficiente para pesquisa. 3. A investigação é insuficiente, só se conhece Jesus ao segui-lo.

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