terça-feira, 14 de outubro de 2008

APONTAMENTOS DE AULA - 14/10/08

ESTUDO DO TEXTO: GONZÁLES-FAUS, J. I. - Que pensar de los milagros de Jesus ? Pag. 479-494.
    O QUE PENSAR DOS MILAGRES DE JESUS? São três os tópicos através dos quais o texto se orienta:
    1. Jesus fez algo estranho.
    2. O que é isto que Jesus fez?
    3. Isto que Jesus fez significa o que para nós?

    A REALIDADE DOS FATOS (tentando se aproximar dos fatos):

    1. Escola mítica (Moltmann J. é o principal representante): Para esta escola os milagres se situam no mundo dos mitos, significando que eles não estão questionando a verdade do milagre, aquilo que ele significa, sua interpretação e sua contribuição, o que se questiona é a sua realidade. Portanto, o milagre não perde sua verdade, mas sua realidade.
    2. Escola crítica: procura explicaçoes naturalistas para os milagres, ou seja, não fazem propriamente uma crítica, mas buscam explicar os acontecimentos como algo natural. Como exemplos podemos citar que um endemoninhado seria um epilético, a multiplicaçao dos pães seria um incentivo a que a multidão partilhasse o alimento que traziam consigo.
    3. História das formas: o milagre seria uma forma literária, tornando-se relatos, perdendo a força antes reconhecida pelas escolas mitica e naturalista.
    4. Hipótese do autor: Jesus fez algo estranho, o que pode ser comprovado por diversas situações:
    • O próprio Jesus fez alusões aos seus milagres. Por exemplo, quando João Batista manda perguntar se ele é realmente o Messias ele responde falando que os coxos andam, os cegos vêem, etc.
    • Existem alusões aos milagres de Jesus no Livro dos Atos dos Apóstolos. E sabemos que a Teologia dos Atos prescinde da vida histórica de Jesus. Atos foi escrito para fazer memória da Teologia das primeiras comunidades. Para Atos o que importa é o Querigma, o anúncio de Jesus ressuscitado. Como os milagres aparecem em Atos, podemos dizer que se eles fossem algo inventado, nao teria sentido serem mencionados em Atos.
    • Os adversários de Jesus, como as fariseus, fazem alusão aos milagres. Se os milagres fossem mito, algo inventado, ou apenas um gênero literário, eles nao teriam sido mencionados pelos adversários de Jesus.
    • Distinção entre as teologias, pois uma é a das comunidades e outra a dos evangelhos. São modos diferentes de perceber e interpretar a fé. Em ambas as teologias os milagres são citados.
    • Percebe-se uma união indubitável entre o milagre e o anúncio do Reino. O anúncio é histórico, aconteceu de fato. Assim, associar milagres ao anúncio do Reino dá uma certa historicidade aos milagres.
    • São várias e variadas as fontes que citam Jesus como taumaturgo: Evangelhos, Atos, Apócrifos, Flavio Josefo. Isso significa unanimidade nesse fato.

    O QUE FOI ISTO QUE JESUS FEZ? (Conteúdo dos fatos): até aqui os milagres foram tratados sob o aspecto de análise literária. Agora vamos tratar do aspecto teológico.

    1. Há teologias diversas nos relatos dos milagres. Houve, nesse aspecto, uma "evolução", entendida essa no sentido de mudança de interpretação, e não no sentido de crescimento positivo.
    • O milagre passsou da condição de basiléico para apologético. E isso é indicatgivo do Reino, para dizer que Jesus de fato era santo, era divino.
    • Passa da fé como condição para a fé como consequência do milagre.
    • Tudo isso indica um processo, mostra uma dimensão de elaboração, algo mais que uma simples transmissão de fatos brutos. O que é apresentado foi primeiro elaborado, Não devemos ser ingênuos, pensando que tais relatos são apenas como que atos jornalísticos.

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